Saudações, felinos!

Com o movimento Black Lives Matters acontecendo de forma fervorosa nos Estados Unidos, muitas empresas estão procurando formas de mostrar apoio. No Brasil, diversas canais fechados começaram a exibir mais filmes com temáticas raciais explicitas ou implícitas e foi assim que eu descobri “Suburbicon: Bem-vindos ao Paraíso” (2017).

Antes de assistir alguns filmes, eu gosto de ver críticas ou ler sobre para ver se irei perder meu tempo ou se vale a pena, por isso, quando li o título, dei uma breve procurada e resolvi dar uma chance a obra dirigida por George Clooney e escrito pelos Irmãos Coen (Ethan e Joel).

Em 1959, tudo é seguro no condomínio Suburbicon, um bairro que vende o perfeito e tão conhecido “american way of life”, não há nada que pode abalar o típico pessoal solícito, branco e de classe média alta que reside por ali. Mas esse mundo perfeito muda quando a primeira família negra chega ao paraíso.

Do outro lado da varanda, quando a casa da família modelo de Gardner Lodge (Matt Damon) é invadida por dois criminosos, uma sucessão de acontecimentos mostra para quem está do outro lado da quarta parede o quanto a vida dos Lodge está longe de ser perfeita.

Em muitas críticas que eu li, os autores reclamavam sobre o fato da narrativa da família negra ficar sempre de fora do foco, nós só acompanhamos os ataques de longe, mas isso é sempre colocado atrás da história que acontece na casa vizinha.

Para mim, no entanto, esse é o toque perfeito para o filme. É engraçado ver que, com tanta coisa suja acontecendo no bairro, as pessoas ainda se empenham em destruir e atacar uma família que não faz nada além de querer ter um lar em um local seguro.

Além disso, como acontece na sociedade, o foco nunca é nos negros e no que eles estão passando, mas sim na família branca que precisa ser - e é - destaque ao longo de todo o enredo.

Entre mortes, crimes e sangue, Suburbicon é sutil em nos mostrar a problemática da ideia de família perfeita, os preconceitos e a segregação racial, além de ser uma crítica direta a hipocrisia da sociedade que prioriza a aparência acima de caráter.

E apesar de ser uma história que se passa nos anos 50, essa discussão se torna ainda mais atual diante de todo o contexto de mudança e luta contra o racismo que estamos vivendo, além de ter um elenco com grandes nomes como, Julianne Moore e Oscar Isaac.

O filme, com certeza, merece a chance de te deixar pensativo após os segundos finais!

Se você ainda precisa pensar, aqui está o trailer pra te ajudar a decidir: